sexta-feira, 8 de abril de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
Susane
Chegou minha hora. Estou a 109 metros do chão e isso é o suficiente para causar medo. Mais um passo e quebro todas as minhas costelas, esmago minha cabeça e faço um bom estrago nessa calçada. Meus pais já me achavam louco. Agora todos acham. Alguns olham para mim e ficam com medo. Outros são debochados. Outros simplesmente não sentem importância. Eu poderia ser qualquer merda nessa vida. Poderia ficar rico, talvez famoso, talvez requisitado. Um artista, isso era o que eu queria. Desde que larguei a faculdade tenho me dedicado a isso. As últimas palavras, os últimos passos. Como é sentir o cheiro da morte? Seria como um bolo que acabou de sair do forno e está logo ali, em cima da mesa, vulnerável para olhares gulosos? Bem, já não é hora de conversa. Preciso de dois passos para trás, e você dará esses passos ou atiro, Susane.
O espaço
Sentadas numa pedra de frente para a praia, eu e Rita conversávamos. Olhávamos para o céu e contávamos estrelas. Fazíamos isso desde crianças, nunca apontei para nenhuma estrela, mas Rita apontava sempre. Hoje ela não apontou para nenhuma.
_Não é lindo como a luz da lua reflete na água?
_É sim.
_Porque está tão quieta Rita?
_Não é nada.
_Como assim? Você sempre é tão risonha, e quando contamos estrelas, você aponta sempre para as mais belas.
_Acabou o encanto Luiza. O que tivemos até hoje sempre me satisfez, mas acabou.
_Porque está me dizendo isso?
Alguma coisa cutucou os pés de Rita, era um pequeno siri, que logo entrou na areia.
_Contei para meus pais sobre nós. Eles desconfiaram da nossa amizade, e fui obrigada a contar.
_Contou o que, Rita?
_Contei sobre as noite na praia, a cabana de verão na nossa casa da praia, de quando nos pegaram na escola. Contei a eles da nossa primeira vez no seu quarto, de como você me beijou, e como eu tinha gostado disso.
_Rita, nunca tivemos nada.
_Como assim? Descobrimos isso juntas, há 3 anos. Exatamente na virada de 2005.
_Rita, estamos em 2003.
Roberto
Tudo o que precisava era de uma xícara de café. Saí do sofá e desliguei a televisão, calcei meus sapatos e fui até a padaria. Sentei na primeira mesa que vi, pedi umas torradas, uma média de café com leite e um jornal. Tudo parecia correr muito bem, até um senhor entrar na padaria, enfiar um revólver na cara do caixa e pedir toda a grana da registradora. O rapaz do caixa suava frio, e tremendo, deu todo o dinheiro que conseguiu pegar. Aquele senhor, o do revólver, saiu correndo da padaria e entrou num Corvette preto, cantou pneu na partida, e foi perdido de vista em alguns segundos.
Fui até o caixa, olhei pra cara do rapaz que ainda suava, paguei minha conta sem exigir troco e fui pra casa. Tirei meus sapatos na porta, sentei no sofá, e tudo o que eu queria naquele exato momento era uma xícara de café.
Amanda
Falei que precisava matá-la e a matei. Ela parecia estar dormindo como um anjo se não fosse o banho de sangue que a encobria e corria piso abaixo até a banheira. Mamãe não acreditaria no que fiz com minha irmãzinha. E nem vai acreditar, melhor limpar essa bagunça antes que alguém veja o que aconteceu.
Romélia
Minha esposa faleceu há 10 anos. Era uma ótima jornalista, uma mãe exemplar e fodia muito bem. Perdi a conta das posições que experimentamos durante nossa trajetória. Em todo o resto, amava aquela mulher. Seu nome era Olívia. A conheci num teatro, perto da minha casa, onde mais tarde nos encontrávamos eventualmente. Ela tinha olhos claros, verdes- e quase sugestivos -, pele clara, lábios finos e encantadores. Vestia-se sempre de maneira imprevisível. Uma combinação que me deixa (ainda) mais apaixonado. Morrera quando Ane tinha 2 anos e Nastácia 7.
Ane chegaria em casa às 11h45, como sempre, mas não chegou. Nastácia estava no quarto com algumas amigas do colégio, escutando música e falando provavelmente de sexo. Claro que para mim ela ainda era virgem, mas prefiro não pensar nesse assunto ainda. Já conversei com ela várias vezes, e por mais fácil que seja explicar o que é sexo, seria muito mais fácil se no meu lugar fosse sua mãe. Passou 15 minutos, o almoço estava pronto, Nastácia já estava na mesa, mas Ane não havia chegado em casa. Liguei para o motorista da van que traz as crianças para casa, e ele disse que uma mulher tinha pegado Ane de carro, um carro simples, disse que ela era a nova empregada da casa e tinha permissão para pegá-la as 11h45. Meu mundo parou aqui. Tudo o que passava pela minha cabeça era "Onde estará minha garotinha?". Fui para meu quarto, abri a gaveta do criado mudo ao lado da minha cama, abri o fundo falso e peguei minha RT-410, escondi entre minha cintura e fui atrás de Romélia.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Michels, Jéssica.
Este é o primeiro post de um blog que não começa em um dia de glória. Não estou aqui para dar uma de namorado ( ou ex) arrependido, fazer juras de amor, ou mesmo fazer você leitor ler mais que 7 linhas dessas.
Nesta última quarta-feira, faria 7 meses que conheci Jéssica Michels, e se não bastasse, faria 7 meses em que namorávamos. Começamos nossa relação, no que mais seria uma desculpa para fugir de nossas antigas relações fracassadas. O que aconteceu no dia 12 de junho de 2010, será lembrado, guardado e, se for assim, "interrompido". Jéssica não sabe viver, não sabe o que quer, e não sabe de seus propósitos, mas, quem se importa? Algumas das pessoas mais interessantes que conheço, e que já passaram na época "Vintage" ainda não sabem o que querem. Mas o que mais me impressiona, é a facilidade com que, essa pequena pessoa (que de pequena não tem nada) encontra felicidade ( e não "A" felicidade) em coisas tão simples, coisas tão estúpidas, que só serviriam de "inspiração" para um compositor ou o poeta. E essas pequenas felicidades diárias, inspiraram cada dia desses 7 meses. Caro leitor, se calcularmos com base na média de 30 por mês, fiquei ao lado dessa menina 280 dias sem cessar. É impressionante como seus sonhos fluem, como as soluções começam a nadar em sua imaginação, e por fim, como sua fé é inabalável ( e olha que tivemos boas conversas à respeito).
Esta humilde homenagem, que conta com uma boa dose de indignação, tem o simples objetivo de ser guardada, para que em um futuro próximo, seja lida (odeio essa palavra) por ninguém menos que Jéssica Michels. Voltando a rotulá-la, gostaria de um momento pessoal (por favor), para que possa fazer a seguinte declaração (Você, caro leitor, pode se retirar agora): Há uma família que se reúne todo mês, como bons amigos, bons irmãos, buscando a fraternidade, fé, e soluções para o cotidiano singular de seus adeptos. Essa família, que conta com uma boa quantidade de pessoas, causaria inveja a qualquer outra família, porém, a inveja é um pecado ,e sendo assim, ela causa um bom exemplo e uma motivação extraordinária em cada um que já prestigiou esse acontecimento. Eu já estive lá, por causa da musa desse texto, e vi com meus próprios olhos míopes, que existe um modo de sermos humanos e solidários, uns com os outros, e foi por causa dessa família, que amo Jéssica Michels.
Poderia eu tê-la entre meus braços agora, apenas para congelar essa imagem, e fotografar o tempo, para que dure o tempo necessário. Se você, Michels, ler isso, saiba apenas que serei leal ao que nós temos, como se todo o resto dos meus bens não valessem a mísera moeda de 1 centavo (E faria isso, mesmo sem meus bens).
Droga, fiz uma jura de amor.
Esse texto fica com um ponto final breve, mas antes, clique aqui e ouça junto comigo.
Critiquei e fiz juras de amor.
À tola coelhinha.
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