domingo, 30 de janeiro de 2011

Romélia


Sempre amei minhas duas filhas. Ane e Nastácia eram como bonecas, esculpidas por cuidadosas mãos de um artesão. Ane chegava todo dia do colégio às 11h45, tomava banho e almoçava. Nastácia passará a interessar-se recentemente por promoções em que diz respeito a concertos e shows de algumas bandas do norte. Acho que para a idade dela, poderia se interessar talvez nos estudos, em pensar no que iria prestar vestibular.
Minha esposa faleceu há 10 anos. Era uma ótima jornalista, uma mãe exemplar e fodia muito bem. Perdi a conta das posições que experimentamos durante nossa trajetória. Em todo o resto, amava aquela mulher. Seu nome era Olívia. A conheci num teatro, perto da minha casa, onde mais tarde nos encontrávamos eventualmente. Ela tinha olhos claros, verdes- e quase sugestivos -, pele clara, lábios finos e encantadores. Vestia-se sempre de maneira imprevisível. Uma combinação que me deixa (ainda) mais apaixonado. Morrera quando Ane tinha 2 anos e Nastácia 7.
Ane chegaria em casa às 11h45, como sempre, mas não chegou. Nastácia estava no quarto com algumas amigas do colégio, escutando música e falando provavelmente de sexo. Claro que para mim ela ainda era virgem, mas prefiro não pensar nesse assunto ainda. Já conversei com ela várias vezes, e por mais fácil que seja explicar o que é sexo, seria muito mais fácil se no meu lugar fosse sua mãe. Passou 15 minutos, o almoço estava pronto, Nastácia já estava na mesa, mas Ane não havia chegado em casa. Liguei para o motorista da van que traz as crianças para casa, e ele disse que uma mulher tinha pegado Ane de carro, um carro simples, disse que ela era a nova empregada da casa e tinha permissão para pegá-la as 11h45. Meu mundo parou aqui. Tudo o que passava pela minha cabeça era "Onde estará minha garotinha?". Fui para meu quarto, abri a gaveta do criado mudo ao lado da minha cama, abri o fundo falso e peguei minha RT-410, escondi entre minha cintura e fui atrás de Romélia.

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