domingo, 30 de janeiro de 2011

Susane

Chegou minha hora. Estou a 109 metros do chão e isso é o suficiente para causar medo. Mais um passo e quebro todas as minhas costelas, esmago minha cabeça e faço um bom estrago nessa calçada. Meus pais já me achavam louco. Agora todos acham. Alguns olham para mim e ficam com medo. Outros são debochados. Outros simplesmente não sentem importância. Eu poderia ser qualquer merda nessa vida. Poderia ficar rico, talvez famoso, talvez requisitado. Um artista, isso era o que eu queria. Desde que larguei a faculdade tenho me dedicado a isso. As últimas palavras, os últimos passos. Como é sentir o cheiro da morte? Seria como um bolo que acabou de sair do forno e está logo ali, em cima da mesa, vulnerável para olhares gulosos? Bem, já não é hora de conversa. Preciso de dois passos para trás, e você dará esses passos ou atiro, Susane.

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